I Guerra Mundial
- Rodrigo Fernandes

- 10 de mar. de 2023
- 7 min de leitura
Atualizado: 22 de abr.
A história da primeira guerra que dividiu o mundo.

No início do século XX as grandes potências imperiais estavam tendo atritos permanentes. Dessas divergências resultou a I Guerra Mundial, que se iniciou no dia 28 de julho de 1914 e teve seu fim no dia 11 de novembro de 1918.
A batalha ocorreu entre dois blocos: a Tríplice Aliança, na qual faziam parte a Alemanha, Áustria e Itália, contra a Tríplice Entente, a qual fazia parte a França, Inglaterra e Rússia. Mas ao todo, envolveu 17 países dos cinco continentes como: Alemanha, Brasil, Áustria-Hungria, Estados Unidos, França, Império Britânico, Império Turco-Otomano, Itália, Japão, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino da Romênia, Reino da Sérvia, Rússia, Austrália e China.
O horror causado pela I Guerra Mundial resultou em um trauma drástico, onde jovens cresceram com traumas causados pelos horrores da guerra. Milhares morreram, principalmente da parte Ocidental, marcada pela carnificina vivida dentro das trincheiras.
Infelizmente a guerra deixou um saldo de 10 milhões de soldados mortos e 21 milhões de soldados feridos. Mas não ficou só nisso. 13 milhões de civis perderam a vida durante a guerra.


As causas da I Guerra Mundial

Os fatores se fizeram por desencadear a I Guerra Mundial, porém, essas causas são de extrema complexidade e envolvem um rol de acontecimentos não resolvidos durante o século XIX e se arrastaram para o século XX, tais como rivalidades econômicas, tensões nacionalistas, alianças militares etc.
O mundo passava por um crescimento incurial extraordinário, o que possibilitou a "corrida armamentista" com uma produção de armas em quantidades inimagináveis anteriormente.
Nesse novo ambiente, o expansionismo do Império Alemão e sua transformação, dentro da Europa, como maior potência industrial, causou um desconforto e desconfiança entre Alemanha, França, Inglaterra e Rússia.
Antecedentes da I Guerra Mundial
Os limites das colônias gerados pela Conferência de Berlin (1880) já vinham causando desentendimentos na Europa, mas França, Rússia e Inglaterra tinham rivalidades antigas contra a Alemanha que já se arrastava desde o século XIX até o início do século XX.
Cada um desses três países desenvolveram um antigermanismo e uma certa rivalidade com a Alemanha com o decorrer dos anos, cada qual com seus motivos.
Pelo lado francês, se dá por consequência da Guerra Franco-Prússia, cujo a derrota da França a obrigou a entregar as regiões de Alsácia e Lorena para os alemães. Essas terras eram ricas em minério de ferro, material essencial para indústria da época.
Já os russos se rivalizaram com os alemães pelo fato pretencioso dos germânicos em conectar Berlim a Bagdá com uma estrada férrea, onde essa passava por regiões com ricos campos de petróleo a qual os russos desejavam ter uma maior influência.
Quanto aos ingleses se dá pela concorrência industrial alemã, que começavam a chegar e tomar mercados dominados anteriormente pela Inglaterra, fazendo com que as indústrias inglesas perdessem espaço.
Esses fatos foram os ingredientes que tornaram o conflito inevitável a medida que acirravam os choques de interesse econômico e político entre as potências industrializadas.
O fato que desencadeou a I Guerra Mundial

Contrariando os interesses da Sérvia e da Rússia, no ano de 1908, a Áustria anuncia a anexação do território da Bósnia-Herzegovina, e para mostrar uma boa relação entre os novos súditos, o herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Ferdinando, acompanhado de sua esposa, visitou a região, no dia 28 de junho de 1914.
O que o arquiduque não contava era que um jovem estudante bósnio surgiria na frente de seu carro e o assassinaria, juntamente a sua esposa, na cidade de Sarajevo, capital da Bósnia. Esse duplo assassinato foi o estopim para dar início à I Guerra Mundial.
Mapa Mental: Primeira Guerra Mundial

Em se tratando de territorialidade da guerra, os combates ocorreram, em sua maioria, no continente europeu, com destaque para a Frente Ocidental, tendo confrontos entre alemães-franceses e alemães-ingleses. A Frente Oriental teve confrontos entre alemães-sérvios e alemães-russos.
A guerra não se concentrou somente na Europa. Houve também batalhas no Oriente Médio, onde localizam-se regiões que estavam sob domínio do Império Otomano.
Fases da guerra
Luiz de Alencar Araripe classifica a I Guerra Mundial em duas grandes fases, onde a primeira fase ficou conhecida como Guerra de Movimento, ocorrida entre agosto e novembro de 1914, e a segunda fase como Guerra das Trincheiras, ocorrida entre 1915 e 1918.

A Alemanha foi o destaque da primeira fase com o Plano Schlieffen, que cominou na invasão da França através do território belga. Foi elaborado pelo conde Alfred von Schlieffen, que deu nome ao plano, e consistia basicamente em uma manobra para envolver tropas francesas e invadir a cidade de Paris, capital da França.
A segunda fase se deu poucos meses depois, com o impedimento da invasão da Alemanha pelos franceses, na Batalha de Marne. Essa fase se destacou pelas trincheiras, que eram corredores subterrâneos construídos para abrigar os soldados e separar os exércitos que lutavam entre si.
A forma de construção era basicamente sacos de areia, que preenchia as paredes e arame farpado, que serviam para proteção das tropas. Eram abastecidas com tudo que fosse necessário para proteção dos soldados, também serviam para informar sobre tropas inimigas que se aproximavam.
Absurdamente a distância entre as trincheiras, por muitas vezes, eram mínimas, e esses espaços eram conhecidos como "terra de ninguém".
As atrocidades da guerra eram muitas, e nessa fase da guerra foi utilizado pela primeira vez armas químicas pelos alemães, que utilizaram inicialmente gás clorídrico, com o tempo substituído por gás mostarda. Franceses e ingleses também passaram a utilizar dessas armas biológicas após a ofensiva alemã.

O historiador Eric Hobsbawm ressalta os horres da Guerra das Trincheiras, travada na Frente Ocidental, durante a I Guerra Mundial:
Milhões de homens ficavam uns diante dos outros nos parapeitos de trincheiras barricadas com sacos de areia, sob as quais viviam como – e com – ratos e piolhos. De vez em quando seus generais procuravam romper o impasse. Dias e mesmo semanas de incessante bombardeio de artilharia […] “amaciavam” o inimigo e o mandavam para baixo da terra, até que no momento certo levas de homens saíam por cima do parapeito, geralmente protegido por rolos e teias de arame farpado, para a “terra de ninguém”, um caos de crateras de granadas inundadas de água, tocos de árvore calcinadas, lama e cadáveres abandonados, e avançavam sobre as metralhadoras, que os ceifavam, como eles sabiam que aconteceria."
As batalhas de Verdun e Somme foram algumas que se destacaram na Frente Ocidental, onde milhões de soldados, de ambos os lados, perderam suas vidas. Pela Frente Oriental, a batalha de Tannenberg foi o destaque, com os alemães conseguindo derrotar os russos e garantindo notáveis conquistas territoriais aos germânicos.
A I Guerra Mundial foi bastante violenta em seus combates, com destaque na Sérvia e no Oriente Médio, onde o Império Otomano promoveu um genocídio contra o povo armênio.
A guerra também teve seu registro de combates aéreos e uma disputa acirrada no mar entre alemães e ingleses.
Em meados de 1917, os Estados Unidos, que até então se mantiveram fora da guerra, porém, emprestando capital e abastecendo de armas os países da Entente, principalmente a Inglaterra, declararam guerra à Alemanha após uma embarcação britânica ser atacada por alemães, causando a morte de centenas de americanos que nela se encontravam.
A Rússia, fragilizada por derrotas contínuas e crises econômicas que assolavam o país, se retiraram da guerra, com isso, a Revolução Russa consolidou o socialismo como regime no país.
O fim da I Guerra Mundial resultou no esfacelamento das forças da Tríplice Aliança, tendo a rendição da Bulgária, Áustria-Hungria e Império Otomano, sobrando apenas a Alemanha. A rendição do Império Alemão se deu pouco tempo depois, após uma revolução estourar no país, com um povo esfomeado e cansado. Os operários e soldados forçaram o kaiser (imperador) a abdicar, levando ao fim a monarquia alemã. Os sociais-democratas, que implantara a república na Alemanha, optaram por um armistício para por fim à guerra, após quatro anos, no dia 11 de novembro de 1918.
Consequências da I Guerra Mundial
As consequências desse armistício foi o Tratado de Versalhes, assinado em 28 de junho de 1919, no mesmo local onde os franceses haviam ratificado sua derrota, em 1871. Dessa vez, os derrotados foram os alemães, que assinaram um tratado que impunham severos termos à Alemanha.

Com isso, a Alemanha perdeu todas as suas colônias ultramarinas, além de territórios na Europa. O país ficou arrasado, tendo que pagar multas pesadíssimas, que levou à uma crise econômica sem precedentes na sua história. Seu exército ficou restrito à 100 mil soldados de infantaria. O Tratado de Versalhes foi bastante rígido em seus termos e a consequência disso, para os historiadores, foi a porta de entrada que se deu o surgimento e crescimento do nazismo.
O fim da I Guerra Mundial reconfigurou o mapa europeu com o esfacelamento do Império Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, surgindo também novas nações, como Polônia, Finlândia, Iugoslávia etc.
As consequências não se restringiram apenas à Europa. Ela se deu em todo o mundo, onde podemos destacar:
redesenhou o mapa político da Europa e do Oriente Médio;
marcou a queda do capitalismo liberal;
motivou a criação da Liga das Nações;
permitiu a ascensão econômica e política dos Estados Unidos.
Brasil na Primeira Guerra Mundial
Em abril de 1917, os alemães afundaram no canal da Mancha o navio mercante brasileiro Paraná. Em represália, o Brasil rompe relações com os agressores.
Em outubro, outro navio brasileiro, o Macau, é atacado. No final de 1917, desembarca na Europa uma equipe médica e soldados para auxiliar a Frente Entente.

Rodrigo Silva Fernandes
Correspondente Jurídico
Bacharel em Direito pela UNIGOIÁS
Conciliador Aprendiz, pela ESA/GO
Ex-Conciliador Aprendiz do TJGO
Membro Oficial do Blog
Fonte: Brasil Escola e TodaMatéria





















Excelente abordagem e uma referência para pesquisa escolar.
Parabéns.